Se mover por São Paulo todos reclamam que está cada vez mais difícil: trânsito caótico, sistemas insuficientes de transporte público e, volta-e-meia, enchentes. Isso cada vez mais me leva à conclusão que o sistema de produção em Sampa está mesmo fora da ordem, caminhando para a direção errada. Está na hora de São Paulo assumir a vanguarda e começar processos de home-office nos setores onde isso é viável?
Eu trabalho com tecnologia em são paulo há 4 anos. Bem pouco comparado a muitos de meus colegas. Alguns deles moram em Santos! Todo santo dia eu faço a mesma coisa: acordo 6h da manhã em Santo André, saio de casa entre 6:20h e 6:30h e faço a rota: Santo André -> Vila Leopoldina. Esse trajeto possui 36 Km. Todo santo dia da semana eu rodo 72Km. Esse trajeto, ida e volta, costuma custar de 3h a 3,5h em horário de pico. Às vezes bate em 4h. Isso porque já aprendi vários atalhos – que eu e meu amigo Flávio chamávamos de “password” numa alusão ao jogo Rush, um Arcade da Atari.
Com todo este tempo, se estivesse em casa durante a semana, aumentaria o meu tempo de trabalho em 37,5%. Isso é muito ou pouco? Para responder, basta pensar: “se eu pedir um aumento de 37,5% meu chefe vai rir ou concordar?” É muito!
Falar em home-office, para muitos empresários siginifica “meu funcionário cuidando do jardim ou dormindo em vez de trabalhar no horário certo”. Bom. Para isso já existe solução há muito tempo. A economia de estrutura que a empresa que me contrata (como PJ) economizaria com seus funcionários seria enorme. O custo de vida dos funcionários seria bem menor. E o desgaste também.
Mas já que brasileiro é “traquinas” eu vejo soluções intermediárias para o assunto (como disse à @glauciananunes pelo meu twitter): e se fizéssemos uma mescla? Algo como “Segunda/Quarta/Sexta no escritório” e “Ter/Qui em casa”, para vermos se conseguimos cumprir a mesma meta? Até que conseguíssemos inverter: “Segunda/Quarta/Sexta” em casa e “Ter/Qui” no escritório! Isso seria de um valor de trabalho e qualidade de vida inestimável. E isso não seria tão “engessado”. Precisa de uma equipe no escritório essa semana inteira para fechar um projeto? Oras. Todos ao escritório a semana toda! A necessidade faria a regulagem dessa engrenagem. Teríamos, talvez, parte da empresa reunida no escritório (aquela do projeto “x”) e outra (do projeto “y”), sem necessidade de estar reunida todos os dias, trabalhando no esquema remoto.
E como garantir que determinada pessoa está mesmo em casa trabalhando e não dormindo? Para os mais céticos já existem webcams por preços ridículos. Eu mesmo preferiria trabalhar o dia todo em casa com a webcam ligada (mostrando esse lindo rosto que Deus me deu) do que sair de casa, como hoje, às 7:00h e chegar ao trabalho às 10:30h, com medo de enchentes pelas marginais. E pior: cansado, estressado e sem vontade de produzir uma classe sequer. E pensando na volta, o inferno que vai ser.
Será que um dia nosso mercado (ao menos de teconologia, já que sabemos como exatamente controlar isso de forma eficiente) vai se dar conta que o principal de tudo está na mente e não no endereço da cadeira onde essa mente produz? Será que um dia todos teremos a coragem de assumir que esse atual sistema de produção está cada vez mais custoso e ficando insustentável? Essa visão de todo o mercado mundial precisa mudar. Mas… quando?