Faz tempo que eu venho enrolando, postergando e tentando esperar a vontade passar. Mas falar nesse assunto, depois dos absurdos que estão se sucedendo, é inevitável.
O caso da tal moça que foi de vestido curto na Uniban. As pessoas não gostaram, teve rolo, polícia, programa de TV e, pra fechar com chave de ouro, o anúncio de sua expulsão da instituição.
Então, alguns pontos rápidos e diretos:
1. São Paulo é uma cidade feia em alguns pontos por culpa dos próprios paulistanos. Aqui em São Paulo, os homens são tão ignorantes que obrigam que as mulheres se vistam como homens, de calça preta e terninhos. Uma espécie de “burka tupiniquim”.
Isso, pelo que vejo, vem da associação com pessoas pobres. Pessoas “pobres” aqui em São Paulo são chamadas covardemente de “baianinhas”. Um preconceito grotesco (como qualquer preconceito). O problema se agrava quando o assunto é vestimenta. O uso de roupas “curtas” é comum em estados mais quentes que a terra da garoa. O que leva a tal parcela “não baianinha” a achar que uma mulher que use roupas curtas é uma meretriz. E essas associações criam essa sociedade masculinizada, que tem na mulher paulistana seu maior símbolo: gestos abruptos, roupas de homem, cara emburrada – como as modeletes que desfilam por aqui nos tais eventos de moda: pagas para manter a carranca. Minhas irmãs refizeram o guarda-roupas quando minha família voltou de Campo Grande para morar novamente em São Paulo. Os vestidos e saias ficaram guardados. Hoje, só usam roupas “de homem”, para não serem confundidas com as “baianinhas”.
2. E um vestidinho é pra causar tumulto? Aquele vestido? Já morei em lugares onde as mulheres usavam vestidos tão ou mais curtos e a paisagem era linda. Que coisa linda ver uma mulher que sabe usar um vestido curto sem perder a elegância. O preconceito paulistano não é capaz de lidar com isso. Não sei se a tal moça do episódio sabia ou não. É que a situação de assombro dos outros alunos é que me deixa perplexo. Isso sim evidencia um comportamento preconceituoso e, por que não dizer, animalesco. Será mesmo que a tal moça tinha um corpo tão espetacular? Provavelmente, não. A questão, como eu disse, é bem outra.
3. Que atitude horrorosa da Uniban expulsar a estudante. Deveria, em vez disso, cuidar melhor do nível do ensino dos seus cursos. Para que seus alunos possuíssem uma maior civilidade e fossem capazes de lidar com o sensual ou até mesmo com o vulgar de forma muito mais consciente. Não como uma turba enfurecida de predadores. E, ainda, melhorar o nível da prova de português no seu Vestibular, para não ostentar pixações como a da imagem abaixo em seus muros. Por esse nível de situação, protesto e atitudes de instituições de nível superior, vemos que o problema não são os centímetros do vestido, e sim os anos-luz que nos separam de uma sociedade com um mínimo de civilidade, compreensão pelo diferente e prazer pelo feminino.
lembro que os caras da minha turma do fundão no curso de Jornalismo na a Metodista (86-89) vestiram minissaia e vestido e foram para a aula de Filosofia …
Em outra oportunidade, a turma do meião, levou um programa ao vivo em circuito interno em todo o campus sobre Sexo e TV. Com cenas de filme pornô em toda a escola… foi lindo olhar a cara do babaca do professor..(era um babaca mesmo, por isso os caras escolheram o tema e os filmes ..)